Antônio
Aguillar é considerado o embaixador do rock’n’roll em São Paulo. Desde 1959
está envolvido com o ritmo, apresentando programas de rádio e televisão em
diversas emissoras. E já passa dos 80 anos de vida!
Uma de
suas melhores histórias data de 1958. O faro aguçado do também fotógrafo o
levou na época ao cine Art Palácio, onde aconteceria a estreia do filme Ao Balanço das Horas (Rock Around the
Clock). Com a câmera a tiracolo, encaminhou-se para a Avenida São João, sem
imaginar o que veria.
Em
imagens preto e branco, Bill Haley & His Comets tocavam a frenética
canção-título, fazendo os jovens atores dançarem como doidos no salão. Do outro
lado da tela, os rapazes de topete e as garotas com calças justas não queriam
ficar somente assistindo! Quem pode permanecer sentado ao som do rock’n’roll?
Eles queriam imitar. Sem pudor, alguns deles começaram a pular sobre as
poltronas, gritando e cantando. E incentivaram os mais tímidos a seguirem seus
passos.
Mas
ainda era pouco. Para abrir de vez a “pista de dança”, arrancaram os acentos e
fizeram um baile dentro do cinema!
A
confusão foi tanta que o governador, Jânio Quadros, tomou providências
drásticas, mandando deter os arruaceiros. Assim, o Juiz Aldo de Assis Dias
baixou uma Portaria proibindo o filme para menores de 18 anos. “O novo ritmo
divulgado pelo americano Elvis Presley é excitante, frenético, alucinante e
mesmo provocante, de estranha sensação e de trejeitos exageradamente imorais”,
dizia o texto.
Enquanto
clicava a “baderna”, completamente envolvido com tudo aquilo, Aguillar se deu
conta de que queria fazer parte do movimento musical jovem que acabava de
chegar ao Brasil. O Art Palácio ficou destruído, mas a carreira do comunicador
só estava começando.
Trecho do livro “Por debaixo do topete”, de
Carolina Fernandes Gonçalves (esgotado).




